segunda-feira, 27 de setembro de 2010

"Gosto deste Brasil que estou vendo"

“Eu gosto daqui, deste lugar, deste Brasil que eu estou vendo”. Foi dessa forma que o ator portorriquenho Benício Del Toro qualificou a visita que faz ao país, durante entrevista exclusiva ao Opera Mundi em frente ao hotel em que esteve hospedado em São Paulo.

A todo momento em que alguém que prendia sua atenção na rua, o ator interrompia a conversa para observar. Lia palavras em português escritas no muro e perguntava o significado de cada uma. Foram cinco cafés, um misto quente e muitos copos de água até que o astro de Hollywood se sentisse à vontade e abrisse um pouco mais de sua vida, mesclando uma conversa em inglês e espanhol.

Priscila Pagliuso

Del Toro: “Acho importante tudo o que está acontecendo na América Latina nos últimos tempos”

Leia toda a entrevista no sítio do Opera Mundi

sábado, 25 de setembro de 2010

Título histórico do Botafogo em 1910 completa 100 anos

O ano de 1910 é marcante para a história do Botafogo. Tanto que é destacado no hino do clube, composto por Lamartine Babo. Naquele ano, o então Botafogo Football Club ganhou o Campeonato Carioca. Considerado, na época, o primeiro título do Alvinegro. A conquista de 1907 só seria oficializada 89 anos depois, em 1996.

A histórica conquista de 1910 se torna centenária neste sábado. Em 25 de setembro de 1910, o Alvinegro goleou o Fluminense por 6 a 1 e assegurou o título com uma rodada de antecipação.

A campanha do Botafogo há cem anos começou com um tropeço: derrota para o América por 4 a 1. Mas a partir da segunda rodada, a equipe fez uma campanha impecável, vencendo os nove jogos restantes, demonstrando um grande poder ofensivo. Em dez partidas, foram 66 gols marcados e apenas nove sofridos.

Goleadas não faltaram. A maior vitíma foi o Riachuelo, que perdeu por 9 a 1 no primeiro turno. E sofreu uma derrota ainda maior no returno: Botafogo 15 a 1. Com direito a sete gols de Abelardo de Lamare.

O atacante foi o artilheiro da competição, com 22 gols. Três marcados no jogo decisivo contra o Fluminense, disputado no antigo campo localizado na Rua Voluntários da Pátria. Décio Viccari (dois) e Mimi Sodré marcaram os outros tentos alvinegros. Lulu Rocha fez, contra, o gol de honra do Flu.

No dia seguinte, manchetes na imprensa carioca destacavam o feito do Botafogo, chamando-o de “Glorioso campeão de 1910″. Surgia então, há 100 anos, o apelido que acompanha o clube até hoje.

Campanha do Botafogo no Carioca de 1910

Jogos – 10
Vitórias – 9
Derrota – 1
Gols pró – 66
Gols sofridos – 9
Saldo de gols – 57

22/5 – América 4 x 1 Botafogo
5/6 – Botafogo 9 x 1 Riachuelo
26/6 – Fluminense 1 x 3 Botafogo
3/7 – Botafogo 7 x 0 Haddock Lobo
10/7 – Botafogo 6 x 0 Rio Cricket
7/8 – Rio Cricket 0 x 5 Botafogo
4/9 – Riachuelo 1 x 15 Botafogo
11/9 – Botafogo 3 x 1 América
25/9 – Botafogo 6 x 1 Fluminense
2/10 – Haddock Lobo 0 x 11 Botafogo

Jogo do título:

Botafogo 6 x 1 Fluminense

Data: 25/9/1910
Local: Rua Voluntários da Pátria
Árbitro: A. W. Hassell
Gols: Abelardo de Lamare (3), Décio Viccari (2), Mimi Sodré (Botafogo) e Lulu Rocha (contra)
Botafogo: Coggin, Edgard Pullen e Dinorah; Rolando de Lamare, Lulu Rocha e Lefévre; Emmanuel Sodré, Abelardo de Lamare, Décio Viccari, Mimi Sodré e Lauro Sodré.
Fluminense: Waterman, Ernesto Paranhos e Félix Frias; Nery, Gallo e Mutzenbecher; Millar, Oswaldo Gomes, Edwin Cox, Gilbert Hime e Alberto Borgerth.

Classificação:

1) Botafogo – 18 pontos
2) Fluminense – 15
3) América – 14
4) Riachuelo – 6
5) Rio Cricket – 5
6) Haddock Lobo – 2

Fonte: Memória F.C


domingo, 12 de setembro de 2010

CONCEIÇÃO ABRE O VERBO


"...Do ponto de vista da operação fiscal, o Serra é ortodoxo, e isso é ruim. Ele quer acelerar a contração do gasto público. No fundo, ele não leva a sério as políticas de bem-estar social, a universalização da educação, da saúde, que tornaram o Orçamento mais pesado. Se cortar, não se pode fazer nada de política universal, tem que ficar só com política para pobre.

Mas não há dúvida de que o Serra também é desenvolvimentista do ponto de vista industrial. O problema dele são os programas sociais, o aumento da Previdência, do salário mínimo, todas as medidas de alcance social mais profundo que o Lula tomou.

Desindustrialização houve no governo deles, do Fernando Henrique, com uma política de câmbio completamente irresponsável, uma taxa de juros alta, que começou a afrouxar a partir do segundo mandato.

O problema de agora é que, com a crise mundial, o dólar desvalorizou e todas as moedas valorizaram, exceto a moeda chinesa, que está amarrada ao dólar e controlada, com controle de capitais. O resto foi para o diabo. Agora é um problema de valorização e isso não afeta as exportações. Isso afeta as importações, que estão disparando. A gente não sabe se estão disparando como reação apenas ao câmbio ou à recuperação da economia. Eu acho que são os dois. A indústria sofreu um abalo em 2009, e neste ano recuperou com muita força. Agora está desacelerando. Tem que estar sempre avaliando..."

(Maria da Conceição Tavares; Folha; 12-09)

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Entidades denunciam extermínio da juventude negra

Movimentos sociais e organizações populares promoveram, na terça-feira (06), o “Dia de Denúncia do genocídio da população negra e pobre de São Paulo”. Para marcar a data, uma comissão organizada pelas entidades entregou, a várias instituições, um dossiê contendo denúncias de torturas e assassinatos de jovens negros e pobres pela Polícia Militar no estado de São Paulo.

O membro do Conselho-geral da UNEafro Brasil Douglas Belchior explica que a iniciativa faz parte de uma campanha permanente de denúncia contra o Estado, acusado pelos movimentos de executar, por meio de suas polícias, ações violentas nas periferias. “O Estado de São Paulo e seus governos têm tido uma atitude irresponsável” , afirma.

A comissão foi acompanhada por Maria Aparecida de Oliveira Menezes, mãe do motoboy Alexandre Menezes dos Santos, espancado até a morte por quatro PMs em frente à sua casa, na zona sul de São Paulo, em maio deste ano.

Dossiê

As entidades levaram o dossiê ao Ministério Público de São Paulo, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP), Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe), Arquidiocese de São Paulo, Federação Israelita do Estado e Palácio dos Bandeirantes, sede do governo estadual.

De acordo com Belchior, o grupo foi acolhido e pôde apresentar a campanha em todas as instituições, com exceção do Palácio do Governo.

Ele relata que a comissão tentou entregar o dossiê pessoalmente ao governador Alberto Goldman (PSDB), que estava no local, mas o grupo não foi recebido.

O secretário da Casa Civil, Luiz Antonio Guimarães Marrey, também não recebeu o grupo, e ainda recomendou, segundo o membro da UNEafro, que a questão fosse discutida na Secretaria da Segurança Pública. O dossiê só pôde ser entregue ao Assessor Especial do Governador, José Carlos Tonin. “É assim que o governo trata o povo, como caso de segurança pública, de
polícia”, lamenta.

Na semana passada, o dossiê havia sido entregue à Defensoria Pública de SP, a Secretaria Especial de Direitos Humanos em Brasília e ao Setorial de Defesa de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA). O mesmo documento foi protocolado junto à Comissão Especial de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa, em audiência pública no dia 9 de junho.

Mobilização continua

Apesar de não receber a atenção do Palácio dos Bandeirantes, Belchior considera que a mobilização foi positiva para a campanha, que deve ganhar novas forças. “Todas [as entidades] se colocaram á disposição para somar nessa nossa luta”, afirma.

Além de dados oficiais sobre violência policial e de relatos de abusos e arbitrariedades, o dossiê pede a exoneração imediata do Secretário de Segurança Pública, Antonio Ferreira Pinto, e do comandante geral da Polícia Militar, coronel Álvaro Camilo.

As próximas iniciativas da campanha, de acordo com Belchior, são o encaminhamento das denúncias a cortes internacionais, como a própria OEA. Além disso, ele ressalta a necessidade de promover mobilizações junto às periferias, a fim de conscientizar os jovens sobre a urgência das lutas. “Não é possível esperar nem mais um dia para que cesse essa situação”, ressalta.

Fazem parte da campanha Uneafro Brasil, Movimento Negro Unificado (MNU),Tribunal Popular, Amparar, Associação Brasileira de Pesquisadores Negros (ABPN), entre outras organizações.

Segundo o dossiê, pelo menos 11 mil mortes foram classificadas como “auto de resistência” (como são denominados os óbitos ocorridos em confrontos) em São Paulo e no Rio de Janeiro entre 2003 e 2009.

Patrícia Benvenuti