terça-feira, 22 de junho de 2010

Guerra Fria, James Cameron, Oliver Stone e Wilson Simonal


Além de aliviar a tensão que rondava o planeta em torno de um possível cataclismo nuclear, o fim da Guerra Fria vem eliminando ao longo do tempo o ranço ideológico que impregnava todos os posicionamentos políticos e enquadrava tudo e todos em um dos dois pólos ideológicos: capitalismo x socialismo. Este mecanicismo contribuiu para rotular e intimidar o pensamento de muita gente que poderia contribuir para o bom debate político e criar contra-discursos. Se o dito "pensamento único" ganhou força com a desintegração da URSS, a ponto de decretarem o "fim da História", (pode?), por outro lado, ninguém mais pode ser acusado de estar a serviço da KGB por fazer um filme, escrever um livro ou dar uma entrevista com uma visão mais crítica da realidade.
É nesta esteira de transformações políticas que surgem filmes como Avatar, de James Cameron, que muito longe de ser um "filme-cabeça" e mesmo atendendo a uma estética blockbuster, dá uma boa cutucada no establishment estadunidense ao colocar na berlinda a perversa parceria entre Governo, Forças Armadas, indústria bélica e interesses empresariais que ao longo da História vêm atropelando a soberania de vários povos ao redor do mundo para garantir seus interesses políticos e econômicos.
Outro exemplo vem do documentário Ao Sul da Fronteira (South of the border) realizado pelo cineasta Oliver Stone sobre governos de esquerda da América Latina. Podemos dizer que é um fillme engajado, apesar da extensa filmografia do cineaste na abordagem de temas políticos.
Ambos não teriam ousado tanto há tempos atrás sem serem acusados de comunistas enrustidos.
Ah...e o que dizer de Michael Moore? Se ele fosse contemporâneo do velho Joseph McCarthy teria sido enviado para a cadeira elétrica, rsss.




Foi nesta onda que o Brasil enterrou um dos seus maiores talentos: Wilson Simonal. Um fenômeno artístico nas décadas de 60 e 70, mas que se envolveu numa contenda político-policial que acabou lhe custando a carreira. Como diz um amigo meu que viveu bem aquela época: "naquele tempo todo mundo tinha que ter um lado" e parece que o Simonal deu uma derrapada. Fosse hoje e provavelmente a história do Simonal teria sido outra. Aliás, nesta quinta, 24/06, às 22h, o Canal Brasil reprisa o documentário: Ninguém Sabe o Duro que Dei, que aborda a trajetória do artista e tudo o que envolveu a polêmica em torno do Simonal.





jhenrique
Rio de Janeiro

Um comentário:

  1. Assisti ao documentário com cuidado e vou dizer uma coisa:assim como devemos separar o Pelé, um gênio da bola, do Edson Arantes do Nascimento, um mané vendido, também devemos separar o Wilson Simonal, talentoso e inigualável artista do Wilson Simonal de Castro, um deslumbrado e mau caráter.

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