Para estrear a adega, coloco aqui algumas observações sobre um vinho que degustei nesta semana. Trata-se do argentino Partida Limitada 2002, da uva bonarda, produzido pela Nieto Senetiner. A uva bonarda é considerada uma uva de estrutura simples, com a origem na região dos Alpes, entre a Itália e a França, o que levanta dúvidas sobre a exatidão da sua nacionalidade. A bonarda não é considerada uma "uva de primeira grandeza", do mesmo estatus da Cabernet Sauvignon ou de uma Merlot. Na Europa é utilizada, geralmente para a produção de “vinhos de mesa” e mesmo na Argentina, apesar de ser a segunda cepa mais cultivada depois da Malbec é utilizada na produção de vinhos mais medíocres. No entanto, na Argentina há uma tentativa de de se produzir vinhos de qualidade com esta uva e o Partida Limitada é uma destas apostas.
De boa estrutura este Partida Limitada, safra 2002 é um vinho que suportaria mais alguns anos de guarda. No entanto, ele promete mais no nariz, onde se percebe frutas vermelhas e avelãs, do que na boca onde não se consegue perceber um bom equilíbrio e um final que impressione e que seria esperado dos vinhos de qualidade na mesma faixa de preço da mesma região. A garrafa e o aroma acabam gerando uma expectativa maior do que o seu conteúdo.

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